
Na perspectiva dos próprios, confesso alguma perplexidade. Não censuro, como exemplo, atletas que em fim de carreira pretendam assinar os contratos financeiramente mais interessantes. Tivemos nos últimos 6 meses
o caso típico de Liedson. As motivações variam consoante os estágios de uma carreira, em futebol, normalmente curta,
sendo natural que com poucas épocas de actividade pela frente, um jogador opte pela solução monetariamente mais vantajosa. Já para jogadores no pleno das suas capacidades, em idades como as de João Moutinho e James, profissionais que deveriam dar primazia
não a um clube, nem a um contrato, mas à sua carreira desportiva, tenho dificuldade em entender algumas das opções que tomam. É este o caso. Se é evidente que o campeonato Francês não perde relativamente ao Português, não é menos verdade que o AS Mónaco não está no mesmo plano clubístico do FC Porto. No âmbito de valorização desportiva, os jogadores saíram a perder. James tem tempo para sair do Mónaco rumo a um emblema / equipa melhores. João Moutinho, também, mas menos, não sendo líquido que o emblema Francês nos próximos anos se disponha a transferir jogadores pelos quais pagou tamanha verba.
Na perspectiva do FC Porto, os olhares dividem-se entre a equipa de futebol e o encaixe que a transferência proporciona. Futebolísticamente trata-se de um enorme rombo, tal como fora, em tempos, para um dos seus rivais (SLB),
a perda de Javi e Witsel. Aqui, a diferença situa-se ao nível da qualidade: James e João Moutinho são melhores futebolistas. Nessa medida, o FCP vê-se mais penalizado.
Se 2013/14 tivesse início amanhã, o SLB partiria claramente na frente. Entre os dois, Moutinho e James, qual o mais importante? Ambos, certo sendo que o FCP não encontrará um internacional Português igual a Moutinho. A probabilidade para que o encontre fora de Portugal, é igualmente pequena. Tal como James, Moutinho é um jogador especialmente importante, mas em tese, será mais fácil ao FCP encontrar solução para o Colombiano. Só em James, fica ainda a sensação tal como acontecera para Carlos Alberto, Diego, ou Anderson, que o jogador sai do Porto sem desportivamente deixar tudo o que deveria, tratando-se duma transferência com alguma dose de prematuridade.
No caso de João Moutinho, na perspectiva do FCP, o jogador sai na altura certa. Um tri-campeonato e uma competição Europeia depois, aí temos a transferência que normalmente premeia os melhores jogadores daquela casa.
Na relação com os jogadores, o FCP faz sentido, motivo pelo qual, em 2010/11, estranho seria que o ex-capitão do Sporting encontrasse obstáculos na transferência que
o seu clube engendrou para o rival.
É um problema que o Sporting,
e só o Sporting, tem de resolver.
Na perspectiva do Sporting, parte envolvida na transferência mas duma forma meramente indirecta, dado tratarem-se de 2 jogadores do FCP, negociados pelo FCP, salvos acertos de contas entre as SAD dos dois clubes, receberemos os acordados 25% sobre a mais-valia (11 Milhões para cima), qualquer coisa entre 3 a 4 Milhões de Euros. Bom, mau, assim-assim?
A relevância do Sporting na matéria começou e acabou quando os seus dirigentes acharam inteligente transferir o capitão de equipa para o rival. Era aí, em 2010, que os interesses do clube deveriam ter sido salvaguardados:
não transferindo o jogador.
Em 2013, o presidente do FCP engendrou o negócio de forma a maximizar os benefícios para o seu clube.
Fez o seu dever, aquilo que eu desejaria (mas não esperaria) do Sporting, caso os papéis se invertessem.
Por último, mas não menos importante, gostaria de desejar muita sorte ao ex-capitão do Sporting. Onde realmente interessa - dentro do campo, tratou-se dum futebolista nada menos que exemplar. Em todos os momentos. Tudo o que João Moutinho faz, não faz bem, mas muito bem, e fá-lo sempre. De princípio a fim, em todos os jogos, em todos os campos, em qualquer altura da época, frente a qualquer adversário, no Sporting CP, FC Porto, ao serviço de qualquer equipa, faça chuva ou faça sol. Uma máquina. Nessa medida, um futebolista único. Boa sorte João.