Parcelas pequenas para uns, vida ou morte para outros

Na sequência do «post» anterior, seria importante levar a cabo uma discussão assente numa única premissa: a relação de forças totalmente desproporcionada entre o futebol do Sporting e demais (sem excepção) modalidades que o clube pratica. Ninguém duvidará que o presente e futuro das mais importantes modalidades do Sporting (atletismo, natação, ginástica, futebol, andebol e futsal, entre outras), passa pelo compromisso com as suas estruturas de formação. É esse o caminho mais seguro e equilibrado que permitirá ao Sporting em toda e qualquer secção trilhar sucesso. Este sucesso, para um clube da natureza e grandeza do Sporting, terá invariavelmente de traduzir-se na obtenção de títulos. Não sempre, por não ser possível (a Sporting ou qualquer outro), mas regularmente. Qual o método mais inteligente de contar com os melhores praticantes nos desportos A, B, C ou D? Formando-os. Todavia, ainda que este compromisso sinonimize nos mais variados escalões acções, práticas e resultados de excelência (desconheço se assim é), presumiremos não ser suficiente para a luta que o Sporting trava com os seus principais adversários e rivais pelos sucessos das principais equipas em todas estas modalidades. Novamente, obtenção de títulos. Neste sentido, a acompanhar o vínculo com a formação, é indispensável que os orçamentos do Sporting salvaguardem os recursos necessários que permitam às mais variadas estruturas a constituição de equipas fortes capazes de disputar títulos.

É aqui que a desproporção mencionada ao início se torna gritante.

Tomando como exemplo o orçamento para 2012/13, compare o nível de despesa alocada a vencimentos (fatia muito larga do universo global de despesa nas modalidades), com os valores normalmente esbanjados em futebol. Fazendo-o, conclua se é de alguma forma recomendável, ou justo, em matéria de austeridade, cortar a direito nas modalidades tais quais de futebol se tratassem. Na soma de todas as modalidades, sem excepção (atletismo, ginástica, natação, artes marciais, ténis de mesa, tiro à bala, demais modalidades Olímpicas, andebol, futsal, ou outras) a manter-se o que actualmente é gasto, falamos de um valor que em vencimentos não chegaria aos 3 Milhões de Euros por época, quando o orçamento do Sporting para as modalidades já é curto relativamente ao dos seus principais rivais. Em especial, Benfica.

Em futebol, caso o objectivo seja a luta pelo 3º lugar e respectivo apuramento para a Liga dos Campeões, quando a nossa meta será invariavelmente essa, 1, 2, 3 ou 4 Milhões de Euros não têm grande impacto. Para o 3º lugar é completamente indiferente gastar 20, ou 22. No universo das modalidades, pelo contrário, 2 Milhões de Euros fazem toda a diferença do mundo.

Ao fim de 6 anos, obrigado por tudo João Pinto.

É com muita pena que tomo nota da saída de João Pinto do Sporting, saída inserida num quadro de redução orçamental que atingirá, senão a totalidade, pelo menos a esmagadora maioria das modalidades praticadas pelo Sporting. Tive o prazer e hoje, em retrospectiva, a honra de ter sido colega de faculdade de João Pinto. Recordo uma pessoa simpatiquíssima, de trato fácil, com quem não privei mais do que 2 ou 3 vezes mas as suficientes para ficar a saber que jogava (ao passo que estudava) andebol no Vitória de Setúbal. 6 ou 7 anos mais tarde, foi uma enorme surpresa ver aquele rosto conhecido vestido com a camisola do Sporting actuar na sua equipa principal de andebol. Mais do que isso, perceber o impacto imediato da sua qualidade, uma que contribuiu, entre outros títulos, para a taça Challenge pelo clube conquistada em 2009/10.
«Sinto uma grande responsabilidade em vir para o Sporting, clube que dá muito aos seus jogadores, mas que, pelo seu historial, exige resultados e alto rendimento».

Como escreve Rui Gomes no Camarote Leonino, Hugo Figueira é outro dos atletas que (aparentemente) estará de saída, ao passo que Fábio Magalhães poderá rumar ao Benfica e Pedro Solha, MVP do último campeonato, não tem permanência assegurada. É líquido presumir que a competitividade e capacidade do andebol do Sporting lutar por títulos estará hipotecada ao longo das próximas épocas. Neste cenário, o caminho só pode ser um: formação.
Ainda em matéria de desinvestimento, teremos de esperar para ver o que sucederá noutras modalidades. Nomeadamente, futsal.

Regressando a João Pinto, Independente Futebol Clube Torrense, Ginásio do Sul, Vitória de Setúbal, CF os Belenenses ... e Sporting Clube de Portugal [2007-2013].

Obrigado por tudo.

«Deus deu-nos o Sporting. Nós olhámos e só queríamos ser tão bons como eles (Sporting)».

Quando éramos pequenos havia dois times que, como dizer? Nos fascinavam não é? Real de Espanha, na altura muito famoso, e o Sporting de Portugal que era convidado para jogar em todo o lado por causa deles (Cinco Violinos). E nós claro, em Três Corações (Minas Gerais), como falávamos Português sonhávamos em ser tão bons como os jogadores do Sporting. Todos queriam ser como eles e assim a admiração cresceu. Quem era melhor, Santos ou o Sporting?
Ah não sei porque eu joguei 10 anos mais tarde, mas aposto que seria equilibrado, eles (Cinco Violinos) eram de facto muito bons.
Edson Arantes do Nascimento, Pelé, 1976, em entrevista a uma revista Americana.

É preciso acelerar o passo, Sporting


Se ao nível de comandos técnicos a continuidade de Jorge Jesus foi suficiente para darmos ao Benfica a dianteira de 2013/14, as recentes movimentações no mercado de transferências parecem (para já) confirmar o seu ascendente sobre os directos rivais. Olhadas as entradas já oficializadas, temos:

(Dadas as dúvidas que durante muito tempo rodearam o treinador do Benfica, iremos incluí-lo na lista.)

Benfica,
Jorge Jesus, Didi, Valente, Stefan Mitrović, Lazar Marković, Filip Marković e Steven Vitória.
FC Porto,
Paulo Fonseca, Carlos Eduardo, Licá, Josué e Juan Iturbe.
Sporting CP,
Leonardo Jardim, Jefferson, Wilson Eduardo, Nuno Reis, André Santos e Diogo Salomão.
SC Braga,
Jesualdo Ferreira, Edinho, Rafael Porcellis, Vítor Bastos, Ezequiel, Welthon, Joãozinho, Djibril, Florent e Salvador Agra.

No Benfica, Steven Vitória constitui-se como um reforço de enorme qualidade, um que desejaria tivesse sido efectivado pelo Sporting. Tratando-se de um central tecnicamente muito evoluído, orientado por Jorge Jesus, será vê-lo transformar-se rapidamente num dos melhores elementos do 11. A par, confiando-se no retrato que o (até há pouco tempo) treinador do Inter, Andrea Stramaccioni, faz do avançado Lazar Marković, somado às suspeitas de qualidade que a contratação do médio (seu irmão) Filip Marković encerra, assistimos ao factual reforço das pretensões do Benfica para a época que terá início dentro de sensivelmente duas semanas.
Dos clubes apresentados o Sporting é sem surpresa o mais atrasado dos 4, não tanto pela existência de um só e único reforço para o seu 11, Jefferson (o principal objectivo do defeso é o reforço do 11, não o reforço do plantel, pelo que importa recrutar pouco e bem), mas pela demora em confirmar as permanências de Tiago Ilori e Bruma na sua equipa, permanências aparentemente colocadas em causa pelas dificuldades de renegociação dos seus contratos. Simultâneamente, tardam as confirmações das transferências (saídas) de atletas como Capel, Jeffrén, Boulahrouz, Oguchi Onyewu e/ou outros.

Faltando poucos dias para a época começar, vai passando a ideia de que no Sporting, ao nível de plantel principal, está quase tudo por fazer.

Sporting, Benfica, Palmeiras, São Roque, Estrela, Toledos e Ponta do Pargo. Ranking de títulos no ténis de mesa.

Finda a época 2012/13, por Henrique Salgado:

Sporting CP,
32 campeonatos Nacionais, 22 taças de Portugal, 9 supertaças de Portugal.
SL Benfica,
24 campeonatos Nacionais, 5 taças de Portugal.

Palmeiras LC,
4 campeonatos Nacionais, 2 taças de Portugal.
CD São Roque,
3 campeonatos Nacionais, 7 taças de Portugal, 3 supertaças de Portugal.
Estrela da Amadora,
3 campeonatos Nacionais, 4 taças de Portugal, 1 supertaça de Portugal.
GDSR Toledos,
2 campeonatos Nacionais, 2 taças de Portugal, 1 supertaça de Portugal.
ADC Ponta do Pargo,
1 campeonato Nacional.

Novelense,
1 taça de Portugal, 1 supertaça de Portugal.
CPN,
1 taça de Portugal.
Clube Philips,
1 taça de Portugal.

Zheng Shun e Diogo Chen, empatar para depois vencer.


Decide-se neste momento em Alvalade o campeonato Nacional de ténis de mesa, jogo que pode ser acompanhado, em directo, aqui, pelo site oficial da Federação. O Sporting perde nesta altura por 2-3 e caso o Toledos vença a próxima partida, sagrar-se-á imediatamente campeão Nacional. Já uma vitória de Zheng Shun, a favor do Sporting, deixará o jogo empatado e atirará a decisão para uma 7ª e derradeira partida. Atendendo que na 7ª partida Diogo Chen jogará pelo Sporting, o título, nesse cenário, estará perfeitamente garantido.
Mais uma vez, o jogo pode ser acompanhado aqui. Boa sorte a Zheng Shun.

Podem festejar um golo do seu menino predilecto

«Mais uma vez, os 9000 habitantes de Cardeal da Silva, pequeno município Brasileiro do estado da Bahia, podem festejar um golo do seu menino predilecto».
Comentador RTP, há instantes.

Divanei Alexandre Menino, 4 temporadas no Sporting Clube de Portugal [em 2011/12 alinhou pelos Russos do CSKA Moskva]

2008/09, vencedor da supertaça de Portugal.
2009/10, campeão Nacional.
2010/11, campeão Nacional, vencedor da taça de Portugal, vice-campeão Europeu de clubes, vencedor da supertaça de Portugal.
2012/13, (para já) vencedor da taça de Portugal.

Falta este, vamos lá.

Recuperar da derrota no 1º jogo nos Açores e empatar a série na final frente ao Toledos. E fazendo-o, tal como no futsal, ficar mais perto da conquista do campeonato Nacional de ténis de mesa. O encontro já começou, em Alvalade.

ps,
No jogo terminado há instantes, que diferença ouvir os treinadores de Sporting e Benfica. O primeiro conseguiu de forma séria e honesta, sem tirar mérito ao adversário, justificar um jogo equilibrado que terminou com uma vitória por 5-1. Antes dele, o treinador do Benfica conseguiu fazer o exacto oposto. «O treinador do Sporting é bestial». É mesmo, pai (beijo).

Tem a palavra o treinador da maior potência desportiva Portuguesa, “O Benfica está longe do nível do Sporting”.


Há 2 anos, comandado por Orlando Duarte, o Sporting CP esmagou o Benfica na final do campeonato Nacional de futsal com um contundente 3-0.
Mais do que (mais) um título, os bi-campeões Nacionais entraram nessa ocasião para a história, conseguindo ser a única equipa em Portugal a sagrar-se campeã Nacional em 3 jogos, a única equipa a conquistar, na mesma época, as 3 competições Nacionais em disputa, e a única equipa na história da modalidade a sagrar-se campeã sem terminar a fase regular em 1º lugar. Tratou-se duma época de sonho para o nosso futsal, temporada onde o Sporting sagrou-se de igual modo vice-campeão Europeu de clubes [derrota na final para os Italianos do Montesilvano].

2012/13, já marcada pela conquista da taça de Portugal, tem sido a nível doméstico uma época de idêntico e estrondoso sucesso.
Tal como em 2010/11, podendo a glória estender-se à final, esperemos que os comandados de Nuno Dias - João Benedito & Companhia alcancem o 3º campeonato Nacional em 4 anos.

Fomos melhores do que o Benfica durante toda a época e não faz sentido pensarmos nesta final doutra forma. Com todo o respeito que a equipa do Benfica merece, seria um hipócrita se não dissesse que somos favoritos, principalmente depois de todo o percurso que realizámos. Se praticamos um melhor futsal, se jogamos melhor do que o Benfica, se ficámos à frente deles na fase regular, se já lhes ganhámos nas duas vezes que jogámos contra eles, não faz sentido não assumir a nossa superioridade. Não estou a ser arrogante, estou sim a ser confiante. Sabemos que as finais nem sempre são bem jogadas e que, em certos momentos, e principalmente nos grandes derbies, temos de contar com o fluir das emoções e das grandes pressões. Mas, quanto mais nos distanciarmos desses elementos, melhor. Se assim for,

O 1º jogo tem início apontado para as 14:30. Força Sporting.

Palmarés Nacional dos dois clubes:
Sporting CP,
10 campeonatos Nacionais, 4 taças de Portugal, 4 supertaças de Portugal.
SL Benfica,
6 campeonatos Nacionais, 5 taças de Portugal, 6 supertaças de Portugal.

Uma das principais seduções do Estádio José Alvalade


Uma das características que fez do Estádio José Alvalade um dos mais famosos no mundo foi a sua célebre pista, pista em tartan que desde os anos 80, até à demolição do recinto, inspirou e consagrou centenas dos melhores praticantes do atletismo mundial e do Sporting. Quando o estádio fora nos anos 40 imaginado, nos anos 50 construído e em 1956 inaugurado, o espaço em redor do relvado fora contudo concebido para outra finalidade. Não se tratava de uma pista de atletismo. Antes, de uma pista projectada para as práticas de ciclismo e motorismo, a última, visando acolher provas de automobilismo e motociclismo. Versamos, como é lógico, sobre o famoso velódromo de Alvalade, palco de inúmeras ovações ao melhor ciclista Português de todos os tempos, Joaquim Agostinho, bem como de variadíssimas recepções a outros dos melhores ciclistas do mundo. Ora este velódromo inaugurado em 1956 foi em boa verdade herdado do Stadium Lisboa, estádio Olímpico que o fundador José Alvalade erguera em 1914. Em 1955, aquando da sua demolição para que nascesse o novo recinto, as zonas ocupadas pelo relvado, pista e peão foram preservadas. Tudo o resto viu-se demolido e um novo estádio construído de raiz. A pista viu-se naturalmente aprimorada, melhorada, modernizada, alargada em dois metros em todo o seu perímetro, recebendo de igual modo uma inclinação maior que a tornasse mais rápida. Foi até 1979 uma das principais seduções do Estádio José Alvalade.

Foi até 1979 um dos principais encantos da cidade de Lisboa.
Rali do Sporting de 1971, Américo Nunes com o Porsche 911 ST na oval de Alvalade

Carlos Moura Pinheiro com o (belíssimo) Fiat 128

Em 1983, cumprindo-se um desejo de João Rocha, a pista de motorismo ver-se-ia convertida na pista de atletismo que muitos conheceram. O Sporting perdeu o velódromo mas fruto da construção da 'Bancada Nova', além da pista de tartan, ganhou um recinto fechado com capacidade para 72 000 espectadores, 40 ginásios, sete pavilhões, uma pista de gelo e dois campos de treinos relvados.

Posto isto, alguns de vós lembrar-se-ão de 'Michel Vaillant', série de banda desenhada Gaulesa imaginada por Jean Graton que contava os feitos de um piloto de automóveis. Um piloto Francês de nome Michel Vaillant cujas aventuras, embora fictícias, andavam lado-a-lado com eventos reais e personagens reais do mundo do automobilismo. Uma das personagens, num episódio, o Belga Claude Collaer.

Pois bem, ei-lo na foto.
À chegada «au stade Alvalade», Claude Collaer (Rally TAP de 1968)